sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Receita de Ano Novo

Drummond


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Eu, modo de Usar

Martha Medeiros


Pode invadir
Ou chegar com indelicadeza,
Mas não tão devagar que me faça dormir.
Não grite comigo, tenho o péssimo habito de revidar...
Toque muito em mim
Principalmente nos cabelos
E minta sobre a nocauteante beleza.
tenha vida própria,
Me faça sentir saudades,
Conte algumas coisas que me fazem rir...
Viaje antes de me conhecer,
Sofra antes de mim para reconhecer-me...
Acredite nas verdades que digo
E também nas mentiras, elas serão raras
e sempre por uma boa causa.
Respeite meu choro,
Me deixe sozinha,
Só volte quando eu chamar e,
Não me obedeça sempre
que eu também gosto de ser contrariada
Então fique comigo quando eu chorar, combinado?
Me conte seus segredos...
Me faça massagem nas costas
Não fume,
Beba,
Chore,
eleja algumas contravenções.
Me rapte!
se nada disso funcionar...
Experimente me amar!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Poema de Natal

Vinicius de Moraes

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ego

Ego,
Ego,
Cedro,
Ego-Cedro
Egocrédrico
Ego-centro
centro-mundo
Egocêntrico
Ego-eu....
Ego-mundo
Mundo-e-eu....
e Eu...?
Único.....


Mais uma poesia da Carol Masotti, codinome Gelsomina =)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Chaplin e Bisquit

Criação do meu amigo Felipe.... Feee amei tanto que postei =)))))))))))
Obrigadão =)))))

Aproveito para homenagear todos os palhaços.... afinal todo o dia é dia de gargalhadas =P e aproveito pra homenagear o meu primeiro mentor, Henrique Andrielli, que me iniciou no maravilhoso mundo do circo... com certeza ele está lá no céu chutando o bumbum dos anjos e fazendo suas estripulias lá... pois é, aquele gordinho maledeto levou a alegria para lá e deixou muitas saudades aqui.....  amo você pra sempre!!!!!!! Você sempre será o beija-flor que vem visitar a janelinha do meu coração...
Agradeço também ao Reinaldo, Palhaço Jeca que me iniciou no mundo dos palhaços, e me ensinou a enxergar com a alma e atingir o coração das pessoas... ainda to longe, mas um dia chego lá.....

ORAÇÃO DO PALHAÇO I



Eu ando em busca de horizontes, companheiros.
E não é o dinheiro que me faz viver assim,mas é o desejo de cumprir esta missão que o patrão lá do céu deixou pra mim.
Me realizo ao ver você sorrindo,e as vezes, até pedindo que eu não pare muito breve.
Pois quando eu vejo cada um dando risada,sinto uma paz abençoada e vou dormir com a alma leve.
Meu repertório tem histórias meio loucas e eu faço caras e bocas pra vocês rirem do meu jeito. Mas o culpado de fazer tudo o que eu faço é um coração de um palhaço,que eu carrego no meu peito.
O meu sorriso, ta sempre junto comigo.Com ele eu conquisto amigos e minha arte cria asas.Ao meu anjinho protetor eu agradeço porque o meu endereço ele sabe e não esquece.
Se ele percebe que eu estou meio tristonho,pede pra Deus, e num sonho, pra me ver, ele aparece e ele me diz:“Vai em frente companheiro,alegres este povo inteiro que sorri quando te vê,porque se um dia tu parar ou desistir de fazer o povo rir,tu não terás razão de ser”.
E é por isto que eu vivo tão feliz hei de fazer mais do que fiz, não me falta inspiração pra Deus do céu agradeço emocionado esse jeito abençoado de poder ganhar o pão.


ORAÇÃO DO PALHAÇO II

Texto retirado do espetáculo:

INVENTÀRIO
Doutores da Alegria - RJ

Senhor,
Fazei de mim um instrumento musical,
Capaz de fazer barulho e de fazer silêncio,
E de quebrar o ritmo do tédio
Que o pão nosso de cada dia por vezes nos traz...
Perdoai as minhas ofensas, são ossos do oficio!
Daí-me o Conflito!
E que minha analista não os desfaça.
Ah, Alegria cheia de graça.
Bendita é entre os sentimentos!
Bendito és tu Palhaço!
Que venham a mim as criancinhas predispostas a sorrir
E que durmam aquelas que têm medo.
Que minha fé cênica cresça a cada dia,
Na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza,
Faça chuva ou faça sol!
Que venham á nós os patrocinadores desapegados á matéria;
E nos deixe cair na tentação de xingar o chefe de vez em quando!
E livrai-nos do mal do desemprego!
Ame.

domingo, 14 de novembro de 2010

Poesia

poesia nova...

De repente o tempo fechou e a chuva caiu....

A chuva levou embora o futebol das crianças,
o sonho da adolescente romântica,

A chuva lavou o rosto da velha que dormia embaixo da ponte....

A chuva lavou a pintura do muro colorido...

A chuva levou embora a esperança,
A minha paz...

A chuva levou embora o tronco que servia como banco
Para o velho que gostava de pensar na vida....

A chuva limpou o reflexo do tempo....
E devastou vidas....
E virou o mundo de cabeça pra baixo...

Mas ao mesmo tempo...

A chuva fez nascer as flores,
A chuva trouxe o arco íris
E a possibilidade de recomeçar...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;

Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A seta e o alvo....

                                                                                          Paulinho Moska
Eu falo de amor à vida,
Você de medo da morte.

Eu falo da força do acaso
E você de azar ou sorte.

Eu ando num labirinto
E você numa estrada em linha reta.
Te chamo pra festa,
Mas você só quer atingir sua meta.

Sua meta é a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu olho pro infinito
E você de óculos escuros.
Eu digo: "Te amo!"
E você só acredita quando eu juro.

Eu lanço minha alma no espaço,
Você pisa os pés na terra.
Eu experimento o futuro
E você só lamenta não ser o que era.

E o que era?
Era a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu grito por liberdade,
Você deixa a porta se fechar.
Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar.

Eu corro todos os riscos,
Você diz que não tem mais vontade.
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com metade.

É a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa não te espera!

Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?

Sempre a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?

sábado, 2 de outubro de 2010

Metade....

Que a força do medo que tenho

Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar

Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O outro lado da estrada....

Quando pensei no título "o outro lado da estrada" para o Blog, pretendi não só homenagear o filme  "A estrada" do Fellini como também criar um paralelo com ele... afinal de contas havia muita coisa por trás deste filme e da personalidade da palhaça Gelsomina que se aplicavam à minha vida, ao momento em que estava vivendo, principalmente no que dizia respeito à atitude dela, sempre marcada pela ingenuidade, pelo fatalismo, que a impediam de se libertar daquilo que lhe fazia mal....

Qual a razão dela existir? Por que ela tinha que passar por aquilo? Pra ela não tinha outro jeito, pois tentara fugir e apanhara, logo, não tinha como mudar o seu destino, não restando alternativa senão aceitá-lo.... Ela não sabia fazer nada, era desvalorizada até que surge o Bobo, um palhaço que a admira, a aconselha, a trata como ser humano e a convida para ir embora com ele..... o que ela faz? Não aceita, pois acredita que Zattano, um porco sem coração, não sobreviveria sem ela, afinal, ele não pensa.... (postei esta parte no filme na postagem sobre Gelsomina)




O fim do filme é trágico e indica que ele não necessitava dela tanto assim, pois ao mostrar sua fraqueza ele a abandona.... Gelsomina morre e quando Zattano descobre vai à praia e chora.... velha história, alguns só descobrem que amam e dão valor depois de perder.....

O meu questionamento é sobre o porque que deve ser assim???? Por que aceitar  o fatalismo? Por que acrecitar que não se pode mudar o destino e se condicionar a ser vítima, sofredor, se contentar com migalhas e nao explorar o melhor de si.....??? Por que não mudar? Se já está sofrendo, por que não assumir riscos e tentar mudar de vida, de postura, de atitude e por que não de cidade, de país se isso for necessário?

Por que nos condicionamos a sofrer e continuar sofrendo sem buscar o sentido das coisas, a essencia, o que realmente importa? A maioria sofre sem saber porque sofre.....

Deixe de lado o sofrimento e pense por um instante: O que realmente lhe faz feliz? O que é importante pra você?
A vida é sua e você é o protagonista da sua própria história... pra que deixar as pessoas fazerem de você o que bem entendem e pra que deixá-las conduzir a sua história, o seu enredo? Para que ter uma visão distorcida de você baseada na visão externa? Por que o medo de se enxergar e descobrir o melhor de você e que você é o único que pode dar sentido à sua vida? Por que se contentar com as migalhas sendo que você pode oferecer a si mesma o banquete inteiro????

Sabe... o outro lado da estrada é ver o outro lado das situações.... e o Inutilia Truncat significa cortar o inútil.... acho que são ótimas combinações... que tal começar a praticar o viver?


Time - Pink Floyd


Ticking away the moments that make up a dull day
You fritter and waste the hours in an off hand way
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way


Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain
You are young and life is long and there is time to kill today
And then one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun


And you run and you run to catch up with the sun, but it's sinking
And racing around to come up behind you again
The sun is the same in a relative way, but you're older
Shorter of breath and one day closer to death


Every year is getting shorter, never seem to find the time
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desperation is the English way
The time is gone the song is over, thought I'd something more to say


Home, home again
I like to be here when I can
When I come home cold and tired
It's good to warm my bones beside the fire
Far away across the field
The tolling of the iron bell
Calls the faithful to their knees
To hear the softly spoken magic spells




sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Poema do Álvaro de Campos

Na noite terrível, substância natural de todas as noites,
Na noite de insónia, substância natural de todas as minhas noites, Relembro, velando em modorra incómoda,
Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida.
Relembro, e uma angústia
Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo.
O irreparável do meu passado — esse é que é o cadáver!
Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão.
Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte.
Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam algures,
Na ilusão do espaço e do tempo,
Na falsidade do decorrer.


Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei;
O que só agora vejo que deveria ter feito,
O que só agora claramente vejo que deveria ter sido —
Isso é que é morto para além de todos os Deuses,
Isso — e foi afinal o melhor de mim — é que nem os Deuses fazem viver...



Se em certa altura
Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;
Se em certo momento
Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;
Se em certa conversa
Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro —
Se tudo isso tivesse sido assim,
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro
Seria insensivelmente levado a ser outro também.


Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido,
Não virei nem pensei em virar, e só agora o percebo;
Mas não disse não ou não disse sim, e só agora vejo o que não disse;
Mas as frases que faltou dizer nesse momento surgem-me todas,
Claras, inevitáveis, naturais,
A conversa fechada concludentemente,
A matéria toda resolvida...
Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói.


O que falhei deveras não tem esperança nenhuma
Em sistema metafísico nenhum.
Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei.
Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar?
Esses sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver.
Enterro-o no meu coração para sempre, para todo o tempo, para todos os universos.
Nesta noite em que não durmo, e o sossego me cerca
Como uma verdade de que não partilho,
E lá fora o luar, como a esperança que não tenho, é invisível p’ra mim.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Meeeedoooooooo!!!

Seu Arcano Pessoal é:

Digite seu nome no site e fala de você... acho que os maias descobriram isso!!! caramba!!!!

6 - OS ENAMORADOS
Palavras-Chave:
Escolha e Livre-Arbítrio
Acontecimento marcante a nível psicológico aos 6 anos de idade;
Amor pelo amor;
Busca da realização afetiva e dependência emocional;
Faz da relação o seu TUDO;
Carente afetivamente;
Indecisão e dúvidas acerca da própria capacidade;
Sociabilidade e simpatia;
Generosidade;
Delicadeza e carinho;
Instabilidade de humor ou temperamento;
Aprecia as artes: poesia, artesanato, moda, música...
Senso estético;
Instinto protetor;
Quer estar bem com todos;
Aprecia festas ou encontros em grupo;
Precisa vencer as inibições frente a seu potencial;
Busca o belo e harmônico à sua volta;
Coloca o coração em tudo o que faz;
Pode titubear diante de algum desafio;
Cuidado com as chantagens emocionais;
Trabalhe a subserviência: saiba dizer NÃO quando for necessário;
Quer apaziguar brigas ou conflitos;
Deseja aprovação pessoal;
Cuide do coração, cabelos, unhas, gânglios em geral;
Romantismo;
Idealismo e imaginação fértil;
Sofre por antecipação;
Positivo nas relações sociais ou trabalho em equipe;
Cuidado com o conformismo;
Expectativa quanto ao próximo: decepciona-se por esperar demais do outro;
Sensibilidade aguçada;
Sonha com um mundo melhor;
Deseja ser compreendida à altura;
Cria amizades com facilidade;
Desafios a nível do coração;
Escolher é difícil;
Cuidado com o dualismo;
Precisa trabalhar a concentração



http://www.taroterapia.com.br/arcano/cap.html%3E

Gelsomina


Caetano Veloso

Tu che amar non sai
Tu che amar non puoi
Sei stregata dall'amor

Sono gli occhi tuoi
Freddi più che mai
Ma che febbre nel tuo cuor

Hai sulle labbra quei baci
Che non dai e che non vuoi
Nel desiderio che giammai si spegnerà.

Grande homenagem de Caetano para a palhaça mais incrível da história do cinema... e abaixo a cena mais linda do filme La strada de Frederico Fellini.....


http://www.youtube.com/watch?v=1BpvCjlNpGg

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Um novo dia.....


“Uma orquídea não perde sua fragrância só pelo fato de ninguém cheirá-la, um barco não afunda só porque não há ninguém dentro dele; e uma pessoa não deixa de praticar o Caminho apenas porque ninguém tem consciência disso: a orquídea, o barco e a pessoa exemplar são assim por natureza.”



Se um homem atravessar um rio
E um barco vazio colidir com a sua própria embarcação,
Mesmo que seja um mal-humorado
Não terá muita raiva.
Mas se vir um homem no outro barco,
Gritará que ele reme direito.
Se o outro não ouvir o grito, gritará de novo.
E mais, começando a xingar.
Tudo porque há alguém no barco.
Se o barco estivesse vazio,
Não gritaria nem ficaria com raiva.
Se você conseguir esvaziar o seu barco
Ao atravessar o rio do mundo,
Ninguém lhe porá obstáculos,
Ninguém procurará fazer-lhe mal

Estes dizeres não são meus, mas acho que são muito válidos....

Nova vida, nova etapa.....

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Ausência

29/05/2007



Tão próximos e repentinamente tão distantes...

Mas nada se compara às distâncias do coração.

Um vento frio congela a paisagem,

deixando no ar a sensação de incerteza....

Um ambiente inacabado.



Eu sei que está faltando algo,

nada é eterno

e tudo está em constante transformação

e com a mutação

vem a deformação.



Um coração disforme

mão pode bater com ritmia,

tudo se vai,

nada volta,

o vazio invade.

O nada, a solidão preenche.



No galho seco da paisagem fria

a noite chega.

O pássaro dourado voa.

Já imersa na escuridão,

congelo junto à paisagem.

Já não me resta mais nada,

só me resta esperar....

esperar aquilo que não pode ser esperado,

pois nada será como antes,

acostume-se, o tempo não vai voltar

e se o amor é algo que se constrói,

o tempo corrói

e a distância destrói.
Sentiu-se culpado?
Então se des-culpa
Chorou apertado,
Chorou como nunca....

O vento desfez
O nó na garganta
Será que mais uma vez
O sol se levanta?...

Não olhou para o lado,
Não olhou para trás
Seguiu o horizonte
Prá nunca mais voltar....

E vaga vazio até hoje
Perdido, sem direção,
Sua juventude se foi,
Nas festas já não há mais canção,
Na mesa, só um copo vazio,
Seco, como seu coração.....
Quente, frio
Frio, quente
Quente, frio,
Frio e quente...
E o arrepio suave
Percorre minha espinha....
Hoje o que é certo
Ficou para trás,
E eu fico aqui, parada...
Será isto o presente?
Ou será isso a letargia?....
Paro, penso e endureço...
                         Amadureço....
                                    Emudeço....
Mas o coração não cala....
Ele grita,
Um grito desesperado,
Desesperador...
Desespera
                 Dor....
Mas ninguém entende, ninguém ouve....
Por entre as ruas abarrotadas,
As pessoas caminham com indiferença,
Sem sentir, sem perceber
Sem entender as entrelinhas....
Entre-minhas,
Entre-meus
Estre –meceu
Este-MEUCEU
Estremeceu
Estremeço
             O céu...
             Meu...
             Eu
Este Meu Eu...
Este sou eu....
Sentada sozinha


Na companhia do café expresso.

As pessoas transitam pelos corredores.

Quantas vidas e quantos mundos,

Mas ninguém se dá conta.

Paro e olho para o café.

Será que ele tenta me dizer algo?

Dizem os árabes que através dele sabe-se o futuro.

Café, o que me dizes?

Que eu sou um grão no mundo.

Mas você, café, também foi um grão

E o seu futuro, tal qual o meu, é virar pó.
Quem sou eu?

Um ser estranho a mim mesmo.
Olho minha imagem no espelho
E não me reconheço...
A estranha do espelho
Repete meus gestos
E me olha nos olhos
Como se conhecesse meus medos....
Eu encaro de volta,
Não me intimido
E assim fico durante horas....
E o tempo passa.....
Enquanto isso os ponteiros giram.....
Não espera, não para....
O tempo é cruel
E quando me dou conta
Me reparo com a velha refletida no espelho....
Olho em seus olhos
E vejo as frustrações de uma vida que passou em branco
E ao fundo, Numa jukebox enferrujada,
toca a música do Chico Buarque:
“O tempo passou na janela
E só Carolina não viu...”

...

Presa a este tornado


Me jogo ao vento sem olhar para o lado....

Fecho os olhos, abro os braços...

Agora tudo ficou pra trás....

Cortinas rasgadas.....

Panos dançando....

Meus planos? São agora “planos” de fundo....

Panos caindo no abismo profundo....

O abismo criado entre mim... e eu mesma.....

O gato

Visão dupla de coisas diferentes
Uma acontecendo
Outra acontecida
Convivendo
Concomitante-mente.
Segue em frente
E com ele as imagens...
Fogo, gritos, dor e o paraíso...
Duas faces de uma coisa só
Finalmente
O gato aprende
Que embora o mundo seja dual
A vida não pode ser separada
Ela é única.....

Apresentação.....

Olá.... Meu nome é Carolina Masotti e eu escrevo poesias há algum tempo....

Por muito tempo mantive meus escritos no anonimato, mas agora resolvi reuni-los e publicá-los....

Espaço destinado à troca de conhecimento, de idéias, de pensamentos e filosofias...

Sejam bem-vindos!