segunda-feira, 16 de novembro de 2015



“Nunca mais
é a expressão que durará pra sempre
entre nós a ausência, a surdez, a cegueira
nada, silêncio, nem um eco ou assovio
mata-se o amor no frio”


Martha Medeiros

Sereníssima

Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta o meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E cê vai logo ver o que acontece
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas

Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade
Tudo está perdido, mas existem possibilidades
Tínhamos a ideia, mas você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de ideia
Já passou, já passou - quem sabe outro dia

Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade

Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho mas
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar

Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo

Legião urgana

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Sobre meninos e lobos....

Pensei na frase que li essa semana:

O lobo será sempre mau se ouvirmos somente a versão da Chapeuzinho Vermelho.... 

A cultura ocidental está muito presa à visão maniqueísta e isso acaba influenciando a nossa forma de ver o mundo, nossos juízos de valor, enfim a nossa vida como um todo....
Talvez seja mais fácil lidar com as certezas e o reducionismo que muitas vezes essa visão apresenta do que com a constante sensação de insegurança de ter que lidar com a modernidade líquida, com essa volatilidade... 

nada é eterno, nada é feito para durar... como disse Marx, tudo que é sólido se desmancha no ar e, com isso, também se esvai um pedaço de mim.... 



sexta-feira, 5 de junho de 2015

Palavras jogadas ao vento

Aqui estamos novamente...
Você um delírio perdido no espaço-temporal....
Eu terra, rocha, sofrendo os efeitos da erosão....
Sentada na janela, faço bolinhas de sabão
E as vejo dissipando pelo espaço, tal qual a nossa relação....
Falar em desgaste?
Talvez fosse cedo demais....
Pedir certezas? No começo eram tantas....
Mas com o tempo elas se perderam,
Não chegaram aos seus destinos,
O eu e você
Não foram fortes o suficiente para formarem o  “nós”....
Talvez justamente pelos nós que se deram ao longo do caminho...
Um emaranhado de ideias não concretizadas,
Promessas não cumpridas,
 fatos e hiatos....
A gente se perdeu....
Ou talvez já estivéssemos perdidos, por que não?
Eu terra, eu rocha, sofri os efeitos da erosão...
Erosão da identidade, corroída com cada olhar de desprezo,
Com cada atitude egoica e e despretensiosa,
Com cada plano em que não fui inserida,
Com cada ligação sonhada e não realizada,
Com cada mensagem não enviada e não recebida....
Eu forte, hoje não tão forte assim...
Sofrendo por aquilo que chamam de amor,

A maior riqueza e a maior dificuldade da vida....  

Carol Masotti

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Texto sobre alguma coisa entre o viver e o existir

Ela nasceu no dia 15 de abril de 1922 e faleceu no dia 22 de março de 1982....
Em sua lápide constou “excelente mãe e esposa, descanse em paz”
Foram 59 anos de dedicação externa..... dedicou-se a brincar de bonecas para aprender a ser uma excelente mãe.... brincava de casinha para aprender os ofícios domésticos... ajudava em casa, aprendeu a cozinhar primorosamente para ser uma boa esposa... costurava, aprendeu caligrafia como ninguém, aprendeu a ser uma dama, a não falar, não reclamar, não se expressar... casou e aprendeu a sofrer calada, a cada surra tomada, a cada sangue derramado, ela sorria, sofria e aguentava.... a cada filho nascido, fruto de estupro dentro do casamento, dividia o amor por aquele ser e o ódio que crescia dentro dela..... ela aguentou calada todas as humilhações, todas as traições, todos os batons vermelhos e perfumes baratos nas camisas de seu "amado e devoto esposo".... foi uma vida de abdicações, do amor, dos estudos, dos sonhos, da vida, dela mesma.... foram 59 anos de resignação... até que um dia ela sucumbiu..... e nunca fora vista mais feliz e mais em paz do que quando em seu caixão.....
Dia 15 de abril de 1922 ela nasceu para o mundo porém, no dia que nasceu morreu para si... foram 59 anos de uma vida não vivida, espectro do outro.

No dia 22 de março de 1982 ela morreu para o mundo para finalmente nascer para si, completa e íntegra, como jamais fora na vida.....

Carol Masotti

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Vida de concurseiro....

Vida de concurseiro é uma coisa de louco... você percebe que é caminho sem volta quando, numa mesa de bar sua amiga começa a contar seu dilema amoroso, comenta que não sabe se está namorando ou não com o sujeito e você pensa, aha!!!!! Relacionamento putativo. Aí a outra comenta que estava saindo com um rapaz e pararam de se falar e você deduz, hummmm, foi um término de relacionamento tácito.... aí ela comenta que está chateada, que isto está tirando a concentração dela e você pensa... será que tirar a paz interior caracteriza perturbação de sossego? Aí você vai ao supermercado, na parte do açougue sente a temperatura e pensa, será que o trabalhador recebe adicional de insalubridade? Tem os intervalos garantidos? Aí vê um trabalhador dedetizando um prédio e questiona sobre o EPI e porque ele não usa luvas, se a pele não absorve o produto.... vai fazer compras, vê uma etiqueta Made in China e pensa, dumping social e não compra!!!! Se apaixona e pensa, encontrei minha conditio sine qua non rsrsrsrsrs Aí você percebe que você respira o direito e isso, ninguém tira de você... e vê que a melhor coisa a se fazer é continuar, perseverar até passar, pois o direito já mora em você e dá o maior trabalho entrar com ação de despejo para retirá-lo, e o melhor, sob qual fundamentação??? Talvez não haja possibilidade jurídica deste pedido, nem tampouco real interesse de agir....

por Carol Masotti

Terceirização


Por Carol Masotti

Tece a teia a aranha à noite
Em perfeita simetria
Vem a mosca desavisada
E por um simples ato perde a vida.
Bicho homem “tece” a teia
Estrutura, Para e Objetiva...
Vem trabalhador desavisado
E por um simples ato falho
Perde o direito de ser chamado de empregado.
Ratel é mamífero “fofinho”
Mas nem leão se aproxima
Não deixe as aparências enganarem
Desprovido de medo
Em seu habitat faz chacina...
Bicho homem empregador
É mamífero fofinho
desprovido de medo
é o bom senhor bonzinho
Uma vítima do sistema
Que é muito sofrido
E que por estes direitos trabalhistas
se algema.....
Então bicho homem empregador
Tem uma grande ideia
Quer explorar a mão de obra do trabalhador
Mas não quer ter diarreia
Com os direitos trabalhistas...
Daí surge a falácia
Do que significa a terceirização...
É a coisificação do homem,
É o esvaziamento do sindicato
e do que significou esta união
é a perda da identidade de classe
é trabalhador sem dinheiro e pé no chão
é a precarização do direito social
é a foice,
sem o martelo na mão....