terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Os sonhos realmente dizem alguma coisa?

Alguma vez alguém já teve um sonho tão estranho que ficou sem entender, sem reação ou entre o manicômio e o tarja preta? rs

Fazia tempo que não tinha um sonho tão estranho mas que mexesse tanto comigo.....

Acho que só não acordei mais aflita do que quando sonhei que eu estava num barranco e embaixo tinha um tubarão e eu tinha medo de escorregar.....

Sonhei com meu passado e com uma menina de uns 20 anos que tinha acabado de ter um filho, e ela ficava me perseguindo pra eu pegar a criança e eu ficava fugindo porque não queria de jeito algum.... aquela menina me encomodava tanto naquele sonho... era como se fazendo isso ela se sentisse vitoriosa..... queria me provocar... eu nem gostava dela e ela com aquela criança perto de mim... mas o mais engraçado era que a criança parecia de plástico.... não tinha cabelo, tinha cor de plástico, não tinha expressão e era muito pequena, ela cabia na palma da minha mão..... e ela ficava falando quem era o pai, que ela tinha que encontrar o pai e Deus me livre saber quem era o pai!!! Não me interessava e ela ficava insistindo, insistindo.... até que eu mudei de sonho, encontrei outra menina que me encomodava muito e que deu uma mancada gigante comigo no começo do ano.... resultado... ela veio me pedir desculpa e eu a soquei!!! Várias prateleiras caindo, uma após a outra e ainda ganhei um sorvete da moça do supermercado....

Uma coisa me deixou feliz em tudo isso.... sempre tive uma atitude passiva na vida, de esperar e deixar as coisas acontecerem... nos sonhos quando alguém me fazia mal, eu queria bater mas meus braços não se mexiam, ou se moviam vagarosamente e eu nunca acertava a pessoa... pela primeira vez soquei alguém sem dó nem piedade... o pior é que eu gostei, srrsrsrrs bom que foi uma briga onírica, mas no sonho pode tudo né? sem censura por favor, srrsrs

O bom é podermos extravasar nos sonhos o que não podemos fazer na vida real, mas triste é quando trazemos dos sonhos para a vida coisas que já estavam adormecidas..... mas o bom da vida é saber dosar as coisas, e eu estou feliz....

"Hoje joguei tanta coisa fora
vi o meu passado passar por mim
cartas e fotografias, gente que foi embora
e a casa fica bem melhor assim"....

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Mais uma poesia minha.....

Ciclo vicioso

Estática
passo as noites diante do espelho...
refletindo o que sobrou da minha alma....
A eterna pergunta,
as mesmas questões...
a lei do eterno retorno....
Se paro ou se fico?
Se vou o se volto?
Simplesmente eu não sei...
eu vou, eu volto, eu paro, eu disfarço, eu fico.....
assim eu sempre volto para o meio do caminho...
fico no mesmo caminho.....
Se me olho nos olhos, eu vejo você....
Mas se eu vejo você, eu não me encontro...
e nessa loucura de tentar te esquecer
uma parte de mim se perde,
e quando você finalmente se vai,
a que fica em mim não me reconhece....

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Motivo

 Cecília Meireles

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E sei que um dia estarei mudo:
- mais nada

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Para refletir....

Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra.


Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora.

Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda.

Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que você queima.

Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia.

Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.

Martha Medeiros

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Mistério do Planeta

Novos Baianos

Vou mostrando como sou

E vou sendo como posso,

Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do "stop"
Que eu passo por e sendo ele
No que fica em cada um,
No que sigo o meu caminho
E no ar que fez e assistiu
Abra um parênteses, não esqueçaQue independente disso
Eu não passo de um malandro,
De um moleque do brasil
Que peço e dou esmolas,
Mas ando e penso sempre com mais de um,
Por isso ninguém vê minha sacola

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Receita de Ano Novo

Drummond


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Eu, modo de Usar

Martha Medeiros


Pode invadir
Ou chegar com indelicadeza,
Mas não tão devagar que me faça dormir.
Não grite comigo, tenho o péssimo habito de revidar...
Toque muito em mim
Principalmente nos cabelos
E minta sobre a nocauteante beleza.
tenha vida própria,
Me faça sentir saudades,
Conte algumas coisas que me fazem rir...
Viaje antes de me conhecer,
Sofra antes de mim para reconhecer-me...
Acredite nas verdades que digo
E também nas mentiras, elas serão raras
e sempre por uma boa causa.
Respeite meu choro,
Me deixe sozinha,
Só volte quando eu chamar e,
Não me obedeça sempre
que eu também gosto de ser contrariada
Então fique comigo quando eu chorar, combinado?
Me conte seus segredos...
Me faça massagem nas costas
Não fume,
Beba,
Chore,
eleja algumas contravenções.
Me rapte!
se nada disso funcionar...
Experimente me amar!